Infraestrutura e capacitação tecnológica


A cadeia têxtil não pode mais ser vista e entendida apenas como setor produtivo. Essa cadeia, como a própria palavra significa, representa um entrelaçamento entre os seus vários elos a partir da produção de fibras naturais e químicas até o mercado final da moda, portanto não representam mais a segmentação entre têxtil e confecção.

Essa maneira de se focar a cadeia têxtil tem início mais claramente a partir do início dos anos 90, anteriormente a esta época, a cadeia têxtil estava inerte em um sistema político e econômico fechado, com metodologias e tecnologias estáticas incorporadas a ambientes produtivos na forma de equipamentos e processos quase imutáveis,  que caminhavam no sentido da obsolescência total do sistema ao provocar contornos de paradigmas.

Nesse ambiente retrogrado o espírito empreendedor e inovador não tinha espaço, pois a segurança da continuidade do ciclo era quase total, não havendo nenhuma necessidade imediata para desenvolvimento de novas técnicas e produtos. Para que inovar, para que economizar, para que ser moderno, se o lucro era certo e o custo mera formalidade, sendo tudo isso irrelevante, pois o consumidor brasileiro se incumbia de pagar toda esta ineficiência e inércia do setor.

Em algum momento, esse status quo teria que ser revertido e o resgate de uma indústria forte, pujante e competitiva teria de ser feito e desde então nestes últimos vinte anos assistiu-se a este verdadeiro fenômeno, conduzido de maneira profissional e competente pela ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil, que a partir dos últimos dez anos passou a incluir também a confecção como escopo de seu trabalho, tornando-se o que é hoje a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção.

Decorrido este tempo, hoje o Brasil ocupa lugar de destaque no mundo em relação ao desempenho de sua cadeia têxtil e de confecção, principalmente voltada ao seu mercado interno, que se torna cada vez mais acessível pela entrada no consumo de classes econômicas menos favorecidas.

Alguns desafios e problemas no entanto nos dificultam e nos impedem de competir isonomicamente com outros mercados, notadamente os da Ásia, uma vez que seus governos subsidiam suas indústrias, e não conta com a mesma atenção que o Brasil dedica à responsabilidade social e ambiental, fato que o nosso país já faz há muito tempo e muito acertadamente. Adicionam-se a isto práticas desleais de dumping em relação ao câmbio e a manobras de subfaturamento e falsas classificações fiscais, inviabilizando nossas exportações e favorecendo as importações.

Os desafios tecnológicos e profissionais que o Brasil precisa enfrentar induziram a ABIT juntamente com o governo federal a prepararem um trabalho profundamente técnico e objetivo vislumbrando o panorama têxtil e confecção para os próximos quinze anos, ficando evidenciada de maneira clara a importância que todos os setores da cadeia sempre deverão convergir para a inovação em todas as suas dimensões.

O primeiro grande obstáculo será o de enfrentar a falta de engenheiros no país, e isto está sendo discutido em todos os escalões da nossa sociedade para ilustrar este fato citamos:

– A formação em engenharia tem um impacto amplo e transversal sobre muitos setores e atividades e não se restringe apenas a suas atividades típicas.

– Esse problema está relacionado à deficiência quantitativa na formação de engenheiros em especial na graduação, mas principalmente com a qualidade dos egressos em engenharia.

– Esse quadro é agravado pelo perfil dos nossos estudantes no curso básico bem como pelo perfil dos egressos em pós-graduação

O Brasil hoje é o país que tem o menor número de engenheiros a cada dez mil habitantes relacionados em países desenvolvidos e em desenvolvimento, como exemplo a Coréia do Sul com 16,40/mil habitantes, A China com 13,41/mil habitantes a Turquia com 3,28/ mil habitantes e o Brasil com 1,95/ mil habitantes (OCDE, 2010).

Outro aspecto importante é a falta de diálogo entre a academia e empresa privada, prejudicada quase sempre pela falta de dinamismo do setor público, bem como a dificuldade em obtenção de patentes através de processos de inovação e neste ponto o Brasil deveria seguir o exemplo da China que obriga as empresas que queiram se instalar naquele país terem como condição básica a criação de centros P&D&I .

Com relação aos desafios e metas para que seja atingida a competitividade nesses próximos quinze anos destacam-se:

– Mercado – Provocar integração através de programas de informação em todas as áreas incluindo o consumo, despertando as competências empresariais fundamentadas em inovação.

– Tecnologia – Identificar tecnologias-chave e linhas de pesquisa estratégicas para o setor

– Investimento – Criar incentivos para os investimentos em atividades inovadoras e sustentáveis.

– Talentos – Promover iniciativas conjuntas entre governo, academia e empresas para revelar e reter talentos.

– Infra-estrutura física  – Implementar o pleno acesso as plataformas de informação e conhecimento, insistindo com o governo para dar maior atenção a logística .

– Infra-estrutura político institucional – Determinar caminhos objetivos para a relação conhecimento-prática através do governo, inclusive com incentivos fiscais para o setor, como por exemplo desoneração de certos encargos.

O Brasil deveria agilizar a introdução da inovação nas empresas, em todos os níveis, através de mecanismos de divulgação e implantação com Núcleos de Apoio à Gestão da Inovação em que a ABIT já está inserida e na minha visão apenas isto não basta, ou seja, temos que despertar esta ação na mente dos empresários.

Dentro das empresas, a vocação pela inovação sempre existiu, pois os profissionais da cadeia são inovadores por excelência e apenas deveria ser fornecido a eles condições para colocarem em prática suas idéias e iniciativas através de mecanismos que envolvam a participação efetiva na resolução de problemas de suas empresas com metas claras e serem atingidas.

Com a conjugação de todos esses fatores a indústria têxtil e de confecção brasileiras que hoje conta com 30 mil empresas empregando direta e indiretamente mais de 8 milhões de pessoas, terá condições de contribuir decisivamente para o progresso do Brasil.

Sylvio Tobias Napoli Junior

Gerente Departamento de Tecnologia – ABIT

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